domingo, 27 de dezembro de 2009

Os mais roubados

O Chartsbin liberou essa semana um gráfico com os filmes mais baixados na internet, seguindo dados de portais de bitorrent como o TorrentFreak. A maioria são filmes de aventura e ação, com "Star Trek" emcabeçando a lista. É curioso analisar como estes números não transformaram em nada estes filmes em fracassos financeiros, inclusive a maioria dos títulos que figuram a lista foram as maiores bilheterias deste ano.

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Em tempo, não perca a paródia que a galera do Free Love Forum fez para o lançamento de "Avatar", chega a ser vergonhoso ver como simples adolescentes americanos conseguem ser mais engraçados que os maiores comediantes brasileiros. No vídeo acompanhamos a produção de um bootleg (o típico vídeo gravado dentro do cinema com qualidade porca), enquanto todo o processo de criação do filme revolucionário é descaradamente detonada. Todas as falas usadas na propaganda de making of de "Avatar" são abertamente ridicularizadas, tal qual a tecnologia nele empregada e a imagem de messias de James Cameron. Não sobrou nem para a frase do cineasta "We are really poushing the envelopes here", transportada para um outro contexto:

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Vídeo - Insects Names



Música de Yuki Yama.

Filmado e editado em uma noite.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ford Corcel

ou Como Fazer um Filme Nacional Decente

Há alguns anos atrás morei em um prédio bem classe alta, isolado, e próximo de uma vila boca-braca, provavelmente foi o melhor lugar que eu já vivi, tinha até banheiro com hidromassagem e outras coisas veadas. A alguns andares abaixos de onde morávamos, acho que no segundo andar, vivia sozinho um velho rabugento aposentado, aquele tipo de vizinho véio que sem ocupação e nada pra fazer acaba matando o ócio cuidando da vida dos outros e procurando problema, que te chama de baderneiro e reclama do barulho por você ter deixado um floco de algodão cair no chão (surdo é meio assim né? só ouve quando quer). Mas um detalhe particular do velho é que ele ostentava na garagem um clássico Ford Corcel antigão, bem cuidado, religiosamente polido, recauchutado e brilhoso.
O carro chamava atenção de todo mundo, não tinha quem não olhasse para aquele baratão.

Há essa altura você deve estar se perguntando se eu perdi meu juízo mental e transformei este espaço em um diário de recordações. Ocorre que eu não tenho mesmo uma boa conclusão para esta história, simplesmente acabei me mudando deste prédio super rapidamente e nunca mais vi nem o velho, nem o Corcel. Mas, alguns meses antes de eu sair de lá me lembro que o velho tinha decidido atravessar a passarela para o lado negro da cidade, sozinho e a noite, e acabou cruzando com uma galera similar a do Alex DeLarge e terminou levado uma pancada na fuça, o que o deixou com um olho roxo e mais puto da vida.

Conto isso para fazer ligação com o novo filme de Clint Eastwood, "Gran Torino", que há essa altura já deve ter chegado em DVD e muita gente deve ter assistido, e se ainda não viu, deveria, parece um revival oitentista com Eastwood no papel de macho mais macho do cinema, mesmo tendo seus quase oitenta anos de idade. A história é muito parecida com a do meu vizinho, é sobre um vetarano da Guerra da Coréia chamado Kowalski, velho amargo e ranzinza, que ainda não conseguiu engolir o passado e o mantêm preso na garganta, mas aos poucos vai amolecendo com a amizade da família vizinha de asiáticos. Ah, e ele guarda um puta modelo Gran Torino na garagem.

Permita-me desviar o texto mais uma vez, logo agora que tava pegando no tranco - mas prometo que no final vou amarrar tudo -, estava conversando estes dias com uma amiga que se impressionou muito com o fato de eu nunca ter assistido "Cidade de Deus", filme que sinceramente nunca me deu o menor interesse, e nunca o ví como um furo na minha coleção(furo é eu ainda não ter visto todos do Yasujiro Ozu, algo que vai ficar de promessa para o ano novo), perguntei para ela então o que achava do filme brasileiro, e ela me respondeu que achava legalzinho...mas que pouco se interessava por toda a violência e lamentava o cinema nacional sempre recorrer a isso para conseguir prestigio. Claro que a essa altura eu já estava quase a beijando na boca, chamando de meu amor, e construindo um barraco para nós vivermos, até porque esta simples opinião de que estamos atualmente em um período onde a violência é sinônimo de amadurecimento intelectual é a das mais verdadeiras - recomendo a leitura deste texto de Tom Jacobs, onde ele começa investigando como o sexo e a nudez afetam o retorno financeiro de um filme e acaba chegando a uma conclusão um bocado complicada.

Tenho pensado muito em "Gran Torino", e em como o filme poderia funcionar perfeitamente em nossas terras. Como nos filmes brasileiros, há uma crítica social, mas ela fica protegida ao fundo e não alardamente destacada como nossos cineastas o fazem, Eastwood sabe que o envolvimento e a história são importantes e só fortalecem a ocasional lição de moral. E é um filme tão fácil, com poucos atores, poucos cenários, sem necessidade de muitos gastos (já que dinheiro é sempre a desculpa número um aqui para ser imcompetente), sem linguagem publicitária, sem piadinhas fáceis, sem palavrão. Certo que algumas mudanças precisariam ou poderiam ser feitas: ao invés da cidadezinha americana poderia se passar em algum município do interior de São Paulo; no lugar de Clint Eastwood seria o Tarcísio Meira; o trauma de guerra seria substitúido pelo pesadelo da ditadura; os vizinhos asiáticos seriam trocados por uma família pobre e de bem; e no lugar do Gran Torino poderiam usar o Ford Corcel do meu vizinho.
Fora isso, seria o mesmo filme, o mesmo argumento, o mesmo roteiro, as mesmas cenas, os mesmos planos, os mesmos enquadramentos (porque são nestas etapas que brasileiro caga tudo), e eu pediria também que mantêssem a trilha sonora, por favor.
Não consigo prever se a mistura dos ingredientes desta receita dariam um bom resultado, mas ta aí um filme que eu ficaria curioso para assistir. Consigo até prever o que os críticos iriam alegar, eles diriam que o filme parece americano (o que seria um tremendo elogio...), ou que uma história destas não tem nada a ver com o Brasil (...eles não conheceram meu vizinho). E mesmo a violência não iria ferir o espectador, pois quem assistiu "Gran Torino" sabe que ela é usada na história como um dispositível desesperador, rendendo um final penoso ao personagem principal, e não como nos filmes de tráfico nacionais, onde a violência é celebrada feito um Cannibal Holocaust.

Precisamos que o cinema brasileiro deixe de ser brasileiro, precisamos de situações de âmbito mundial, precisamos de personagens onde qualquer um, indiferente da classe ou país, se identifique. Estes personagens e situações até podem se desenrolar em plena catinga nordestina e retratarem o cenário social do lugar, mas é necessário que as emoções e atitudes de quem lá vive sejam compreensíveis e não apenas ajam de forma ensaiada como meio de operar a mensagem do realizador.
Clichés são construídos de situações chaves (quem não conheceu o valentão na escola? quem não conheceu o nerd? quem não ganhou uma espinha no nariz em um dia crucial?) nosso cinema não tem clichés para seguir porque até hoje nada que foi retratado na tela parece ter sido feito por nós mesmos, ou por humanos em geral.
É dai que vem a idéia de um cinema de gênero, apoiada da necessidade. Todos os países tem uma rica cinematografia de suspenses, ficção-científica, terror, comédia (considerando o fato que estou apertando um Delete em toda comédia nacional) ou ainda de sub-gêneros como os filmes de vingança, os de assalto a banco, os de desastre, os de esporte... nós não somos todos iguais, um país precisa de uma diversificação assim para constituir um cinema.
Os filmes brasileiros já nascem com défict de atenção, com uma certa arrogância de serem a nova jóia preciosa da arte desde a primeira linha do roteiro, enquanto que os filmes de gênero se apóiam na simplicidade e fazem dela sua aliada.
Eles querem apenas passar duas horas conosco e nos contar uma boa história, o que às vezes, pode ser tudo o que mais precisamos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As sombras de Scarlet Street

Um dos registros mais concretos sobre o incoerente estado da arte data de 1945, mas se mantêm vivo até hoje, "Scartlet Street", um dos grandes títulos do cinema noir, mas raramente citado, investiga o desfocado e injusto mundo artístico, principalmente da pintura, onde apenas por um improvável raio de sorte aquele que é talentoso é realmente reconhecido.

Em "Scarlet Street" um homem de meia idade vive a tragédia de não ter uma mulher que o ama, não poder a se dedicar a pintura (que por falta de tempo acaba virando hobby de fim de semana), e a velhice que não tarda a se aproximar. O que por sí só é um dos argumentos que acredito ser dos mais tristes: uma vida que não está sendo vivida.

Mas a infelicidade de Cris parece acabar quando ele conhece uma jovem garota na rua, Kitty, que se interessa de imediato pelo homem, sem que ele sabe que por trás ela está interessada mesmo é em se aproveitar do dinheiro e das telas dele que ela acredita serem famosas. A armadilha perfeita está preparada: depois de meio filme, Kitty começa a vender os quadros que Cris pinta como se fossem seus e as simples obras do homem começam a fazer sucesso. Aqui está a primeira facada no rim, os quadros são um sucesso não pelo que são, mas porque os compradores acreditam que são a bela jovem que os pinta.

Segunda facada: Cris descobre que Kitty está vendendo os quadros e colocando seu crédito, mas ao invés de ficar irritado ele fica muito feliz em saber que seus desenhos estão enfim sendo aceitos e aceita continuar pintando por trás das cortinas, o que simboliza muito bem que o artista desesperado aceita até mesmo vender um braço para o cramulhão caso isso enfim faça as pessoas virarem o olhar para sua arte.

Normalmente as pessoas não vêem mal em dissecar filmes antigos, mas eu prefiro mantêr puro o olhar daquele que ainda não assistiu, deixando que este descubra o poder de "Scartlet Street" por sí mesmo, mas cabe destacar que nada em toda a película vem a superar o terceiro ato, que vem como um vendaval aplicar a justiça em todos aqueles que manipulavam Cris e apontar uma seta gigante no distorcido mundo da arte. Acaba sendo tão trágico que sentimos o 'The End' ser cravado como uma cruz em uma sepultura. Dirigido por Fritz Lang e brilhantemente estrelado por Edward G. Robinson e Joan Bennett (em uma das femme fatale mais destrutivas da era preto e branco), "Scartlet Street" é um filme dark e até mesmo muito pessimista, que cria uma certa intervenção e questiona, com perseverança, a noção no que valorizamos.

Fall Be Kind


Fall Be Kind. Novo EP. Vazamento. AC. 5 canções. Sons eletrônicos de Supernintendo. Selva de espíritos. Flauta. Clima de história infantil para dormir. Captura de ectoplasmas. Download.

Catástrofe

Quando a dúvida do final de semana cinematográfico se resume à assistir gente morrer ou o planeta explodir, é porque a coisa ta feia. Empase resolvido sem chances de decisão, a sessão de "2012" se encontrava lotada, com todos ingressos vendidos e fila grande. Sobrou assistir o novo número da série "Jogos Mortais", do qual prometi a mim mesmo que não vou gastar nosso tempo nem kbytes no servidor do blogspot para falar sobre (a quem interessa, tinha preparado algumas piadas, que incluiam chamar o filme de "Jogos Anais" e "Jogos Fecais").
Nove milhões de reais comprovam que subestimei o chamariz de atenção que seria "2012", pelo trailer parecia um filme B (B de Bomba) que até mesmo o público comum iria renegar, e qualquer esperança que poderia existir acabou rapidamente depois de passar pela crítica de Simon Abrams que não perdia tempo em dar nota zero para o filme. Um taxista de Porto Alegre me confirma que eu estava mesmo errado, ele me diz que trabalha no ponto de um dos shoppings da capital e que muita gente mesmo está indo ver o filme, e enquanto ele fala isso o céu fecha sob às nossas cabeças e ele solta uma gargalhada que parece fazer o engarrafamento obeso desaparecer quando eu digo que talvez não seja nem preciso esperar até 2012.
A procura pelo filme de Roland Emmerich no final de semana só comprova que, aparentemente, as pessoas preferem a destruição mundial do que o assassinato arquitetado do outro filme, o que deve servir de tese para o próximo livro do Al Gore e assunto para debates de ecologistas sobre o estado do planeta (para os assustados, a NASA já soltou um comunicado desmentindo a previsão Maia do final do mundo). E chamar de 'destruição mundial' é um tremendo elogio, pois o filme parece ser duas horas e meia de blocos de pixels passando na tela. Não se engane, o responsável por "2012" não é Emmerich, é a placa 3D GeForce.
Então ainda não assisti "2012", mas adoro estes blockbusters testosteronizados e fugazes, são filmes onde ninguém dá muita bola para o que está acontecendo com a história, as pessoas falam durante a exibição, mexem no celular, ninguém se chateia. Torna-se até inútil nadar contra a corrente. E depois de ver tanto drama clássico que me transformaram em um poeta do sentimento, isso é tudo que estou precisando. É que nem aquelas balas azedinhas que você põe na boca e sente o azedume tocar a tua alma, é desagradável, mas é bom, ou eu que sou masoquista...
Assim que as filas diminuírem e meu saldo financeiro ajudar vou tentar pegar alguma sessão de "2012", isto se até lá ainda sobrar alguma sala de cinema em pé.

- Assista um behind the scenes sobre os efeitos especiais do filme

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Em cartaz

Algumas opções de filmes para assistir neste fim de semana:

Garota Infernal

Nova tortura escrita por Diablo Cody, a puta paga por trás do sucesso em erupção "Juno". História de uma líder de torcida demoníaca que devora os garotos do colégio. Parece ter sido escrito em dia de TPM.

Michael Jackson’s This Is It
Documentário editado mais rápido que o enterro do defunto, às pressas para lucrar com a morte do cantor - fazem menos de 6 meses que Michael Jackson morreu e já temos em cartaz um filme em sua "homenagem". Grande concorrente ao título de oportunista do ano.

Substitutos
Bruce Willis de cabeça raspada e cavanhaque socando andróides no futuro.

Matadores de Vampiras Lésbicas
Besteirol que trabalha em cima do fetiche de lésbicas gostosas assassinas. A falta de sapatonas de cabelo curto e cara de militar tornam o filme pouco realista.

Em tempo, "Paranormal Activity" (agora "Atividade Paranormal") foi enfim comprado pela Playarte, que trouxe a campanha de demanda para o país, onde você pode pedir que tragam os espíritos para seu vilarejo: http://www.atividadeparanormal.com.br

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Por trás do susto




Quando escrevi pela primeira vez em Março sobre o fenômeno que o filme independente "Paranormal Activity" estava causando nos críticos americanos, destaquei principalmente o espanto e choque que o filme parecia causar naqueles que o assistiam e o fato dele ser um verdadeira estraga-noites-de-sono para aqueles que pretendiam dormir depois de voltar do cinema. Como acontece de vez em quando no cenário independente, um título acaba as vezes se destacando muito mais do que a princípio poderia se imaginar e começa a sair das profundezas do underground e cobrir o território todo. "Paranormal Activity" estava se movendo. Logo não eram mais apenas críticos que cobriam os festivais indies que o elogiavam, mas grandes publicações e revistas, digitais e impressas. No momento que escrevo este texto, o filme está com 94% de aceitação na sua página do Rotten Tomatoes contendo as declarações mais apaixonadas que um filme independente poderia ganhar e cumprindo o papel mais primordial de um filme de horror: fazer as pessoas sentirem medo.

Então de repente algo inesperado aconteceu, um movimento que parecia já morto por uma audiência que deseja ter arte entrega em casa e pede para que as obras sejam liberadas para download: os espectadores que levaram susto vendo "Paranormal Activity" criaram uma união pedindo, ou melhor, exigindo, que esse filmezinho independente filmado na casa do diretor, viesse ao público não em disco ou formato virtual, mas nos cinemas. Aqui é o público, que normalmente serve de gado para os estúdios, dando as ordens.

E eles foram finalmente ouvidos. A Paramont Pictures comprou os direitos de "Paranormal Activity" e ao invés de usá-los para uma refilmagem usando atores mais aceitáveis ao público médio, a produtora o distribuiu celebrando o impacto aterrorizante que só o produto original conquistou e pôde transpôr. Em mais uma vitória do filme, fez o mainstream simplesmente não conseguir argumentar contra e aplaudir o talento da pequena produção.

"Paranormal Activity" virou atualmente nos EUA uma verdadeira febre, reaplicou a metáfora da caverna de platão a sala de cinema e continua ainda dando susto em muita gente. A Paramont Picture, feliz com o sucesso do filme, abriu uma das campanhas de divulgação mais benéficas e cabeça aberta que um estúdio cinematográfico grande poderia fazer nesta época: abriu uma página onde você espectador demanda que o filme seja exibido no cinema na sua cidadezinha no cu do judas. Feito um circo que chega na cidade, serão divulgadas essa semana as próximas 20 cidades que terão a exibição de "Paranormal Activity" e o próprio cineasta Oren Peli veio a público criando uma conta no Youtube agradecendo por todo o apoio e prometendo que irá pessoalmente falar com os executivos para que todas as promessas de exibição sejam realmente concebidas.

Parece que desta vez é o cinema quem se beneficia completamente. A chance está ai de você provar interesse e fazer notar a vontade de que um filme chegue a você (depois de tantos filmes perdidos a oportunidade surge acompanhada de um suspiro), apesar de parecer que nada disso esteja sendo notificado dentro do Brasil.

Acima você assiste ao segundo trailer de "Paranormal Activity" que filma a reação da platéia durante as passagens do filme. A estréia nacional ainda é incerta, já que apesar de todos os sustos do filme, os cinéfilos brasileiros parecem continuar dormindo em sono profundo.

- Demand it! Bring Paranormal Activity to your town
- Matéria na Wired sobre o filme

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

2ª Semana Ousada de Arte - SC

Tentacle Ensemble Collective irá participar da 2ª Semana Ousada de Arte da UFSC, em Florianópolis, durante os dias 21 a 26 de setembro. A performance apresentada será *Experimento 3: Urbanóide & Bobby Fischer*.

Neste caso, o coletivo ressignifica a mente matemático-abstrata contextualizando-a em um panorama urbano. Propondo assim, uma manobra onírica cuja interpretação realista desembarca no cotidiano. O tabuleiro, nesse caso, é um simulacro da sociedade onde as peças e público são devorados em rituais catárticos.

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Quando Bobby Fischer morreu, a mágica da lógica morreu com ele. A performance *Urbanóide & Bobby Fischer* não é uma homenagem, é, antes disso, uma tentativa de perfilar o comportamento desse monstro contraditório.

Segue o release do festival:

A Semana Ousada de Artes UFSC e UDESC é a expressão de uma proposta que une duas instituições públicas numa parceria artística e cultural.

Organizada pela Coordenadoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e pela Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Semana Ousada de Artes deste ano de 2009 procura apresentar a Universidade como fonte de ousadia. Se, algumas vezes, as Universidades são vistas como local de transmissão do conhecimento já sedimentado, nós queremos mostrar que elas podem ser o lugar da invenção do novo. A pesquisa aqui deixa os sisudos laboratórios dando razão à imaginação.

A UFSC e a UDESC oferecem hoje vários cursos ligados à arte: cinema, artes cênicas, design, arquitetura (UFSC); artes visuais, moda, artes cênicas, música, design (UDESC). A pesquisa nestas áreas, em ambas as Universidades, dá origem a novas tendências nas artes. É o que vamos mostrar nesta semana, num cruzamento de caminhos e idéias. Vários espetáculos mostrarão o imbricamento entre várias formas de arte: música, performances, artes visuais. É o caso do Teatro Mágico e do Tentacle Emsemble. Nesta semana, teremos ação educativa, dança, diversas oficinas, peças de teatro, exposições de moda, apresentações de curtas, performances, música erudita e popular, artes visuais, arquitetura e design.

E não faltará uma reflexão sobre tudo isso: no Seminário sobre Arte e Filosofia será discutido o sentido de dizer *Isso é Arte*.

Aproveitem a Semana Ousada de Artes!

sábado, 19 de setembro de 2009

O Soco Silencioso na 2º Semana Ousada de Artes


O curta-metragem "O Soco Silencioso" será exibido na próxima Quarta-Feiras às 17hs em Santa Catarina dentro da 2º Semana Ousada de Artes.


Site do evento

domingo, 13 de setembro de 2009

Vídeo Dado Villa-lobos

Capa do vídeo que estou terminando para a produtora Milenar do Rio de Janeiro com com imagens da turnê de Dado Villa-Lobos no ano passado no Rio Grande do Sul. Foto de Gioani Paim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nos ouvidos

O espectador e os filmes não se encontram mais apenas na sala de cinema.
Não há mais motivos de distância quando se pode pensar e debater cinema no computador, na própria casa, ou colocá-lo em algum player nos fones de ouvido e escutar em qualquer lugar. Esta aproximidade fica ainda mais possível com os podcasts sobre o assunto, largamente compartilhados na Apple Store para os proprietários de um iPod ou iPhone. Separei alguns principais podcasts que trocam informações e comentários sobre o gênero (risquei todos os brasileiros, que nada mais são do que expoentes de nerdices ou discussões para provar quem tem o ego maior). São horas e horas de opiniões e conversas que enterram qualquer desculpa que ainda restava para você ouvir Ivete Sangalo.

THE CRITERIONCAST
- Podcast oficial da linha de DVDs de luxo The Criterion Collection, objeto de adoração religiosa entre entusiastas por cinema, o programa de áudio compartilha animadas análises sobre os clássicos filmes lançados pela empresa (confira a edição sobre "Solaris" de Andrei Tarkovsky) com algumas notícias atuais pelos seus três críticos. Entrou esta semana no top 100 de podcasts mais baixados no iTunes.
- Baixar The CriterionCast


MONDO MOVIE - Divertido podcast sobre cinema fantástico com comentários que promovem uma crítica pessoal. Não perca o volume em que eles falam sobre o novo de Sam Raimi, "Drag Me to Hell", com muito mais inspiração e conteúdo do que um otário como eu poderia fazer. Basta conseguir driblar o inglês britânico para ter mais esta série para aproveitar.
- Baixar Mondo Movie


FILM RIOT - Em vídeo, mistura genial de comédia com tutoriais, Film Riot é um verdadeiro amansa burro para aprendizado na adição de efeitos em filmes. Chega a ser uma pena o tempo de duração, mas com certeza você vai querer voltar para assistir de novo e reconferir as dicas. Se você acha que o "how to do" não lhe interessa, as piadas certamente ganharão sua atenção.
- Baixar Filme Riot

domingo, 30 de agosto de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Confissões de uma Garota de Programa

Still de "The Girlfriend Experience"

Do grão ao pixel: Assim como o som e a cor foram evoluções fundamentais ao audiovisual, o digital permitiu que uma terceira geração de cromossomos fossem concebidos. Estamos agora completando uma década com este novo suporte aonde o reviramos do avesso em busca de desmestificar suas capacidades. E como um resultado do empenho tecnológico dos últimos anos surge este “The Girlfriend Experience”, como um novo sinal de vida no batimento cardiáco de seu diretor, onde o digital se sente. E o projeto não poderia ser mais bizarro ao se trata de um registro diário de uma garota de programa de luxo interpretada por uma atriz pornô, comandado por um Steven Soderbergh que muitos já haviam dado como falecido (trilogia “Muitos Homens e Um Segredo”, e o duplo “Che”) pronto para o experimento. “The Girlfriend Experience” é o segundo trabalho do diretor criado através de sua parceria com a produtora HDNet Films de produzir um total de seis filmes a serem lançados simultaneamente nos cinemas, na televisão e em vídeo (o primeiro havia sido o muito bom “Bubble”) e é talvez o primeiro filme a relembrar o tipo de cinema que o fez famoso desde “Sexo, Mentiras e Videotape”.

“The Girlfriend Experience” faz qualquer formado em cinema voltar para o jardim de infância. Como uma criança que pergunta interruptamente “O que é isso?” até ganhar a devida resposta, levamos um tempo para nos familiarizar, para nos acostumar, como é impressionante a forma como o filme é digitalizado em tela. E a história para qual esta câmera é voltada (uma maravilhosa Red One) é a mais exata para o deleite visual que acaba sendo gerado: a famigerada Sasha Grey, que você deve conhecer muito bem de filmes do seu acervo secreto como “Anônimos Comedores de Ânus 19″, “Acrobacias Anais” e “Senhor dos Anais 13″ , vive uma espécide de namorada de aluguel chamada Chelsea, que os homens pagam para sair, conversar, ou foder. O ótimo roteiro percorre os encontros de Chelsea casualmente voltados aos homens, normalmente ricos empresários, e usa tudo isto de pano de fundo para construír sua análise sob a crise econômica (os homens em alguns momentos usam Chelsea como psicóloga para desabafar seus problemas financeiros, e as vezes trocam fazer sexo com ela para ficar no telefone falando com seus agentes), tudo isto em uma narrativa feita em fragalhos e capturada por lentes inovadoras.

Talvez sem querer, Soderbergh tenha feito aqui uma pura versão neorealista de “A Bonequinha de Luxo”, em todos os sentidos, tanto de história quanto na maneira como ela é transporta. Maravilha o quão poderoso e humano o sistema pode ser, inclusive na minha exibição do filme, que eu fiz diretamente ligada em disco virtual preservando o digital, em várias tomadas de alta iluminação meu televisor emperrou, não aguentando o alto número de pixels e engasgou o filme. É difícil descrever o que “The Girlfriend Experience” é, só se torna compreensivo quando frente aos olhos, talvez só depois que todo o filme acaba, ou talvez só seja mesmo notado em estudos futuros. A única maneira até então de vermos esta espécie de vidro com movimento era trazendo da China as obras de Jia Zhang-ke, mas agora, ao trazer para o cinema americano, Soderbergh coloca o digital em outro ecossistema, nas lojas, hotéis e restaurantes de gala que Chelsea freqüenta, aonde ela pouco sabe ser apenas mais outro supérfluo dos seus clientes.

No derradeiro final onde Chelsea comprova que ela não é só buceta, mas também cérebro e coração, é possível sentir sim uma emoção pela personagem, em uma forma de captura que antigamente a artificializava, o que põe abaixo toda a opinião de saudosistas de que apenas na película que há verdadeiro cinema. Seja fotoquímico aplicado ao rolo ou processo fotoelétrico, onde a luz torna-se eletricidade e é codificada em fileiras de 0 e 1, “The Girlfriend Experience” acaba com qualquer mito arcáico e estabelece o digital como o mais novo óculos da atualidade. É uma transformação da vista, uma transformação da imagem. É ver o digital aproximando-se do orgânico.

“The Girlfriend Experience” EUA, 2009. Direção: Steven Soderbergh. Estrelando: Sasha Grey, Chris Santos, Peter Zizzo, Timothy J. Cox, Timothy Davis. 78 minutos.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sexta-Feira o é o fim do cinema

Imagem vazada do planeta Pandora, onde se passa "Avatar"

Sexta-Feira Jesus Cristo de Nazaré vai voltar a vida; acabará a fome no mundo; será descoberta a cura do câncer; os carecas vão ficar cabeludos; o Twitter vai se tornar útil; a gripe H1N1 vai desaparecer; e até aquela menina que foi jogada pela janela em 2007 vai ressuscitar e voltar a janela em time-reverse.

Sexta-Feira é a estréia mundial de 15 minutos de "Avatar", novo filme de John Cameron que pretende revolucionar todo o cinema com uma técnica de 3D estereoscópico que simula a visão humana. Depois dirigir o maior filme do mundo, "Titanic", Cameron apenas se dedicou a este projeto, que ainda não ganhou os olhos do público de maneira nenhuma, nem uma foto foi divulgada. Os cineastas que tiveram a oportunidade de verem algumas cenas sairam largando na internet as mais maravilhadas declarações, dissendo que separará o mundo do cinema como Moisés separou o Mar Vermelho (o eufenismo é de minha parte) e o NY Times comparou com a estréia de "The Jazz Singer", o primeiro filme com som da história.

Mas sério mesmo que essa coisa de 'marketing de guerrilha' já não deu?

Não que eu queria estragar os sonhos dos nerds gordos, porque eu também sou facilmente entretido, fora que eu nem vi estas sacras imagens e pode muito bem ser que Cameron tenha desenvolvido um meio que será de agora em diante adotado e fará parte do cotidiano cinematográfico, mas é que com essa propaganda viral (que intantâneamente assume o filme com um produto) todo o entusiasmo que deveria vir em primeiro lugar do filme em si, acaba sendo emitido pela publicidade que o circula. A propaganda se torna um falso santo.

Me lembro quando foi lançado o chocolate Bis branco, vinha escrito na embalagem que era uma novidade que ficaria por tempo limitado. O Bis branco existe até hoje.
O espectador se transformou em um personagem de videogame sendo jogado/manipulado pelas empresas de cinema. Começou no seriado "Lost", foi parar em "Cloverfield", depois virou aquele perrengue em "Batman - Cavaleiro das Trevas" (como pode as pessoas adotarem de braços tão abertos o "Why So Serious?" sem se perceberem apenas parte de um rebanho sem uma identidade criativa pessoal?), mas depois que aquele maldido DVD pirata de "Tropa de Elite" vazou o Brasil também percebeu a beleza da jogada de marketing. E agora o AvatarDay Sexta-Feira acontece no Brasil também, junto com as cópias do novo filme de Quentin Tarantino "Bastardos Inglórios" e pode ser muito bem que Cameron fature outro Bilhão baseado no simples ato de instigar a curiosidade. Mas mesmo depois de "The Jazz Singer" os filmes mudos do Chaplin continuam com o mesmo encanto, então ainda que "Avatar"modifique todo o cinema como ele é feito, não será por isso que as obras tradicionais perderão seu encantamento. Não há motivos para cair no enlouquecimento publicitário, por mais que Sexta-Feira seja um novo dia que irá revolucionar o cinema, ainda assim será só um dia.
E Nostradamus foi um babaca de não ter previsto isso.

sábado, 15 de agosto de 2009

TEC - Grain Elevator




- Versão Youtube

Estas são imagens da vídeo-instalação "Grain Elevator" realizada na Feira do Livro de Canoas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não se esqueçam dele

"Nós todos somos bizarros. Uns só escondem melhor que os outros."

Vítima de uma parada cardíaca, John Hughes (59 anos) morreu nesta manhã de quinta-feira enquanto caminhava em Manhattan. Ele estava na capital americana visitando sua família.

A partida de John Hughes, o principal escritor americano a ilustrar a imagem da adolescência nos anos 80, não pode passar em branco quando nenhum outro foi capaz de escrever tão apaixonadamente sobre a juventude e ao mesmo tempo compreendê-la dentro dos próprios filmes, pois ao invés de dramas, são comédias que comemoram o comming-of-age com toda a diversão que pudesse ser arquitetada pelos estúdios. Dentro deles havia o retrato dos sentimentos de toda uma geração que com o tempo acabou sendo passado a diante, com os títulos sempre presentes na "Sessão da Tarde". Não conheço criança que não tenha visto os filmes de Hughes assim como não conheço velho que os tenha perdido. Pelo seu grande talento em criar histórias adoráveis, os filmes de Hughes acabaram desenvolvendo essa longa vida (não há Natal em que a Globo não exiba "Esqueceram de Mim 2"), livres de peso, são filmes agradáveis de se assistir, e é agora na sua despedida que eles pedem mais uma revisão.

Desaparecido do cenário cinematográfico desde 1994, Hughes se retirou do público vivendo em Wisconsin, raramente dando entrevistas ou deixando ser fotografado pela mídia. Hughes se recusou a receber o prêmio por homenagem a importância de "O Clube dos Cinco", não comparecendo a cerimônia do MTV Movie Awards, mas devidamente lembrado pela atriz Molly Ringwald ao subir no palco. Sua última atividade foi ter gravado em 1999 o comentário de áudio para o lançamento em DVD do péssimo "Curtindo a Vida Adoidado". Ao passar pela sua página no IMDb, repleta de sucessos, um título pula no olho: é seu o genial roteiro de "Weird Science" (no Brasil, "Mulher Nota 1000", mas preservamos o inglês pela lembrança da maravilhosa música de mesmo nome do Oingo Boingo). Para mim "Weird Science" sempre foi uma obra de arte, e tudo graças ao sub-texto, uma clara metáfora ao sentimento adolescente de escapulir da decrépita instituição familar, cheia de valores ultrapassados tão diferentes dos seus. O último ato do filme é bruto: quando os avós vão visitar os garotos que deram uma festa e acabam sendo desfigurados e presos dentro do armário, enquanto o ambiente é completamente posto aos ares. Não há imagem melhor para simbolizar a vontade de fuga e independência (se lembre que tudo começou pelos jovens quererem brincar de Deus e criarem uma mulher que fosse perfeita) quanto a imagem da casa sendo destruída. Seria preciso escrever um ensaio completo para dar justiça a inteligência que se esconde no roteiro de Hughes para "Weird Science" e ainda assim em palavras, com o número de caracteres que fossem precisos, eu não poderia transportar a encantadora sensação de desfrutá-los.

Se a contemporaneidade ovaciona o clima sombrio ao invés do divertimento cerebral, é ai que os filmes de Hughes não poderiam fazer mais falta. Ficamos agora com este clima de inocência perdida no cinema, mas assim como Hughes sempre falou dela na passagem do jovem para o adulto em seus roteiros com entrenimento, não demos a ele o luto, mas o agradecimento por se relacionar tão bem com aqueles sentimentos que nos eram importantes. E para isso, basta assistí-los.

Por coincidência do destino, está em produção um documentário independente chamado "Don't Forget About Me" sobre estudantes que tentam reencontrar Hughes e propôr uma discussão sobre seus filmes com uma série de astros que protagonizaram eles. Com a notícia da sua partida, a equipe do filme colocou no ar o primeiro trailer e uma nota informando que a produção será dedicada em sua memória:



Site do documentário
Página de John Hughes no IMDb

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Os Conceitos do seu Mundo Definem a sua Vida?

Esse é o título do primeiro trabalho sólo do músico instrumentista Marcelo Armani cujas faixas foram compostas durante a segunda metade de 2008 e a primeira metade de 2009. O músico se vale de um processo chamado de "sound by sound" para executar e para dar vida a sua obra. Assim, as texturas e as cores musicais são contruídas pouco a pouco pelo músico em tempo real. Neste material, a interação com os demais intrumentos faz com que o músico redescubra uma nova linguagem musical para a sua musicalidade. As vertentes do free jazz, da música experimental e do ritimo afrô passam a dialogar com os sons e ruídos urbanos que são captados e levados para dentro das canções que compõe esse primeiro registro. Todo o material fora composto de forma independente, gravado, mixado e masterizado pelo músico em seu própio estúdio. A arte gráfica de capa cube ao artista plástico e cartunista Fabiano Gummo. Algumas das faixas desse primeiro trabalho fazem parte do curta metragem "O Soco Silecioso", dirigido por Lucas Moreira.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Soco Silencioso na Argentina


O curta "O Soco Silenciso" será exibido na segunda semana de Setembro no espaço La Tribu em Buenos Aires, Argentina, na mostra de curtas Deja Vu Match, um espaço que tem uma rádio dentro com transmissão por toda cidade. Agradeço a Iván Skretkowski pelo contato.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Treevenge

Você já assistiu algum filme, escutou alguma música ou leu algum livro e pensou "um brasileiro nunca faria uma coisa dessas"?

Finalmente está disponível na internet o curta-metragem "Treevenge" de Jason Eisener, sensação dos festivais americanos deste ano, o filme faz absoluto sentido com o que perguntei acima, na maneira com que Eisener une criatividade em cada passagem dos 16 minutos de seu curta. "Treevenge" trata do desmate nas florestas de pinheiros natalinos (parte esta filmada como um terror setentista na maneira em que psicopáticamente os lenhadores põem a baixo as plantas), depois parte para dar vida as árvores, dá voz, movimento, e as vezes faz a câmera ser os "olhos" delas. A seguir, com muito bom humor ele filma a família escolhendo qual pinheiro levará para a casa como em um momento de clássica escolha a um animal de estimação. Mas é nos 10 minutos e 50 segundos que "Treevenge" mostra a que veio, quando as árvores se voltam aos humanos em uma vingaça por terem sido sujeitas a mera condição de enfeite, se tornando um filme alucinado e prazeroso de se assistir. Ao contrário do trabalho nacional que vai do tosco ao artisticamente arrombado (que acaba sendo mais tosco do que o originalmente tosco, porque neste o tiro saiu pela culatra), onde seus realizadores vão das piadas jocosas a poesia lírica boa parte do cinema americano independente se firma e tem se destacado no cenário mundial apenas pela simples razão de não serem um pé no saco.
Mas não vá por mim, o curta faturou o prêmio da audiência no Toronto After Dark, no NY City Horror Fest, no San Francisco Independent Film e no aclamado festival Fantasia, fora uma série de outros prêmios que ainda vem colecionando.

Assista "Treevenge", no player abaixo do Twitch.com, o melhor site de cinema da estratosfera:



Meu único problema com "Treevenge" é que eu gostaria muito de tê-lo assistido no Natal.

- Site oficial do curta-metragem

quarta-feira, 8 de julho de 2009

sábado, 27 de junho de 2009

TEC - Museu do Trabalho




- Versão Youtube

Este é o vídeo da intervenção "TEC encontra Mathias Rosner" realizada no lançamento da revista Picabu.

Obrigado pelo seu tempo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Soco Silencioso no Mondo Cane (04/07)


"O Soco Silencioso" será exibido dia 4 de Julho às 22:00 no evento Mondo Cane, no Garagem Hermética em Porto Alegre. O ingresso é R$10,00 mas está você pode participar de uma promoção no blog do evento. A mostra acompanha outros curtas e trabalhos de vários artistas.

Esta é a segunda exibição do filme na capital.

Blog do Mondo Cane http://www.mondocanebrasil.blogspot.com

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Soco Silencioso em Santa Catarina

"O Soco Silencioso" será exibido no período entre 08 e 15 de Agosto em Florianópolis/ SC no Festival de Inverno do Norte da Ilha organizado pelo Cineclube Carijó.

Site do Carijó Espaço de Arte: http://carijo.ning.com

Mais adiante quando a programação for fechada será divulgado o dia e horário certos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

TEC - The Grain Elevator


TEC.
The Grain Elevator - Vídeo Instalação.
Na abertura da Feira do Livro de Canoas.
Praça da Bandeira, Sábado, 20 de Junho, 18hs.

Máscaras do Brasil

Saiu o trailer do documentário que eu participei a uns meses atrás com a produtora Studio JPV de Brasília. O projeto se chama "Márcaras do Brasil" e é organizado pelo organizador cultural e jornalista Zeca Valadares. Para divulgação Valadares optou por colocar atores vestindo máscaras de políticos andando em diversas cidades do Brasil. Filmei as tomadas no centro de Porto Alegre em apenas uma manhã na passagem de Valadares por aqui e depois enviei para ele pelo Correio quando ele já estava no Rio de Janeiro.

Você pode ler mais sobre o projeto e a história de Valadares (que chegou a ser capa do jornal New York Times nos anos 70) no agora inaugurado blog: http://mascarasdobrasil.blogspot.com



segunda-feira, 8 de junho de 2009

TEC encontra Mathias Rosner

TEC estará no lançamento da revista Picabu no Museu do Trabalho em Porto Alegre neste Sábado as 18hs.

MySpace
Revista Picabu

quarta-feira, 3 de junho de 2009

MVI 89

"O Soco Silencioso" foi exibido na 89° Mostra de Vídeo Independente que acontece a 9 anos na Casa de Cultura Mário Quintana. Ainda não tinha exibido o filme em Porto Alegre mas foi muito bom ter o filme fazendo parte da mostra e poder falar para as pessoas que foram um pouco sobre ele. A próxima edição da mostra acontece dia 1° de Julho, abaixo algumas fotos que tirei com o celular:


Site da Casa de Cultura Mário Quintana
Site da Mostra de Vídeo Independente

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"O Soco Silencioso" na Casa de Cultura Mário Quintana

Meu último filme, "O Soco Silencioso" será exibido agora em Porto Alegre na MVI (Mostra de Vídeo Independente) na Casa de Cultura Mário Quintana. O evento, que já é clássico na capital, é competitivo entre todos os trabalhos mostrados durante o ano, e será votado pelas pessoas que aparecerem lá no dia. A curadoria é de Nicanor Santos.

A exibição será dia 03 de Junho ás 19:30.

Site da Mostra de Vídeo Independente

The Quiet Punch

terça-feira, 26 de maio de 2009

Picabu


O grupo Bestiário lança dia 29 no Festival de historietas Viñetas Sueltas em Buenos Aires a revista Picabu, formada pelos trabalhos dos artistas Carlos Ferreira, Moacir Martins, Nik Neves, Rafael Sica, Fabiano Gummo, Rodrigo Rosa e Leandro Adriano.

A revista ta do caralho, fazia um bom tempo desde que eu li quadrinhos pela última vez, mas sinceramente a Picabu me fez por em cheque minha leitura atual, porque a sensação de ter enfim lido uma história em quadros madura, inteligente e fantástica é real. E sem aspas.

Site oficial da revista

domingo, 24 de maio de 2009

Cinema Novas Mídias - O filme desaparecido

A câmera liga, e o comportamento que ela tomará em seguida só depende daquele que a foca. Documentário. Vídeo. Filme. A câmera sozinha não tem personalidade, e o perfil de sua filmagem é construído durante toda sua vida, do primeiro shot ao último corte. Sendo a câmera um objeto que pode assumir multiplas personalidades, porque dela tirar apenas uma?
E se existisse, enterrado nos interiores da história da Internet, um grande filme a tratar diretamente dessa capacidade de esquizofrenia da câmera?

Precisamos voltar para as raízes do novo cinema que brotava no meio dos anos 90, aos tempos da Internet Dial-up, do cinema digital em seu primórdio, para encontrar o caso em questão: o filme se chama "The Last Broadcast", é completamente independente, foi editado usando as primeiras versões de softwares popuares e sequer existe Torrent para ele disponível no momento. Um filme perdido que obteve uma certa fama por ter sido criado antes do hit "A Bruxa de Blair" e ser extremamente similar àquele filme (várias pessoas só foram atrás dele por causa de seu irmão famoso) e pela fofocaiada de que os diretores de "A Bruxa" tivessem feito uma cópia deste. E é tudo realmente muito parecido. "The Last Broadcast" também é um documentário falso que ergue sua narrativa através das imagens supostamente reais do que sobrou de um crime, a história é sobre os apresentadores de um programa de mistérios para um canal local chamado Fact our Fiction que resolvem fazer uma transmissão ao vivo e on-line do programa nas florestas da cidade com dois paranormais para encontrar uma lenda local. Só que eles se fodem, e apenas um consegue sair liso da matança e é imediatamente acusado dos crimes. Honestamente, para mim pareceu claro que simplesmente foi um caso de idéias idênticas que pintaram em cabeças diferentes (talvez pela evolução digital na época fosse inevitável não questionar essa idéia), e ambos os filmes a executaram brilhantemente e com métodos dessemelhantes.

Mas, retornando ao primeiro parágrafo, o que afirma o esquecido potencial de "The Last Broadcast" é sua essência. Este é o primeiro filme a ser feito 100% digital. Filmado com câmera digital, editado em sistema digital, e principalmente, exibido digitalmente nos cinemas via transmissão de arquivo. Nenhuma das pessoas que aparecem são atores, o filme inteiro foi desenvolvido em um desktop e a montagem usa todo o acervo de efeitos clichês de softwares de edição. E a esta altura talvez você esteja pensando: essa porra sequer é cinema?

Cinema até a medula, "The Last Broadcast" é resultado dos esforços daqueles que não aceitam parar apenas porque não possuem a câmera mais cara e os atores mais famosos, sua história emerge baseada em sua premisa "O que podemos fazer com nada?". É a resposta dos cineastas independentes quando Hollywood os colocou tão para trás, já que não há condições de fazer tal filme de horror, porque fazer "filme" em primeiro lugar? E então, os diretores reviram a câmera em busca de suas outras possibilidades. Voltamos a esquizofrênia. Documentário. Vídeo. Filme. Verdade ou mentira. A câmera pode lhe oferecer outro aspecto para se encaixar as suas idéias e suas condições financeiras, basta procurar. O assunto explorado dentro do filme acaba encontrando o próprio ao alevantar perguntas sobre a natureza das histórias e quem diz o que é real (lembre-se, o programa se chama Fact our Fiction). "The Last Broadcast" muda os sentidos da câmera, dá um verdadeiro nó de marinheiro nela, faz a realidade televisiva se tornar filme de ficção, e a mudança de POV no seu final surpreendente - mas mal executado, e até mesmo desapontador - é reflexiva: não importa a tecnologia, Super-8, 35mm, VHS, DV, HD, IMAX...este aparatos são apenas desculpas, a câmera pode se mutar e assumir outro corpo, e esta descoberta no cinema digital só vem para acrescentar que o cinema teatral, de sketches, e de poucas palavras (o padrão curta-metragem), deve ser morto o mais rápido possível e substituido pela vontade de pesquisar e explorar novas possibilidades, pois esta criatura só conseguirá nascer do desejo de experimentação dos seus realizadores, de inovação, de criação.

O cinema, e qualquer cinema, pode emergir de qualquer instrumento, basta nossos olhos estarem dispostos para enxergarem a ação que manifesta-se dele.

Site oficial de The Last Broadcast

segunda-feira, 18 de maio de 2009

No IG


"É um tipo de cinema que vai além do que a crítica considera bom ou ruim. Simplesmente, não consideram esses trabalhos dignos de estudo. Puro preconceito", diz a curadora da mostra e doutora em cinema para ECA-USP, Bernadette Lyra.

Sempre quis aparecer na mesma página ao lado do mongol do Lúcio Ribeiro.
Matéria com a curadora do Cinema de Bordas em que "O Soco Silencioso" foi exibido, apesar de não citarem o filme no texto, escolheram pela publicação desta foto dos bastidores do Totonho e eu. Dica do Zé Roberto.

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2009/04/22/mostra+cinema+de+bordas+comeca+hoje+em+sao+paulo+5663905.html

domingo, 17 de maio de 2009

Mostra de Cine. Experimental

Arte do psicopata Fabiano Gummo

Acabou que o evento terá mais material inédito do que eu esperava, fora a volta do curta "O Soco Silencioso" a São Leopoldo e os vídeos flutuantes previamente colocados na internet, haverá uma animação e a estréia de um novo média e uma cena do documentário "Biba", e aproveitando terá uma exposição dos quadros dele também.
Estou deixando dessa vez apenas o lugar fazer a divulgação, vamos ver o que vai dar...por sorte ninguém perguntou ainda sobre a falta do valor no cartaz, mas eu preferi não colocar o preço mesmo, já que ele também é experimental.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

In The Sign of The Tentacles

Novo vídeo flutuante para o TEC, este misturando animações com movimentos 3D, desenhos vetoriais e imagens de arquivo.


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Uma morte necessária

Daniel Stamm, diretor de "A Necessary Death", responde o que aconteceu com o filme:
Hey Lucas,
we are looking for distribution. It is a sloooow process. We'll let
you know as soon as we know more!
Hope you are well,
Daniel
O controverso "A Necessary Death" foi exibido ano passado no festival de Sundance e depois evaporou. Nem mesmo as críticas positivas fizeram Stamm conseguir distribuição ainda. "A Necessary Death" é um mockumentary sobre um diretor de cinema que colocou um anúncio no jornal procurando um suicída em potencial para o seguir durante seus últimos dias, até o seu eventual fim.

Site oficial
Trailer no Youtube

terça-feira, 5 de maio de 2009

Onde O Soco Cirúrgico Vive

Fui buscar hoje as capas do DVD do Soco Silencioso, ficaram muito bonitas:



They are all part of the family:

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Soco Silencioso por Felipe M. Guerra

O crítico e cineasta Felipe M. Guerra esteve no Cinema de Bordas em São Paulo e assistiu ao curta "O Soco Silencioso" junto com mais 800 pessoas que aplaudiram o filme no final. Guerra escreveu uma brilhante crítica sobre o curta no seu blog pessoal no texto "Outros filmes que você infelizmente NÃO vai ver num cinema perto de você":


O SOCO SILENCIOSO (2009, São Leopoldo - RS)


Após dois filmes de horror ("Massacre Cirúrgico" e "Onde as Coisas Cruéis Vivem"), meu conterrâneo gaúcho Lucas Moreira ataca no cinema experimental com o curta-metragem "O Soco Silencioso", uma fotomontagem (feita com dezenas de fotografias em preto-e-branco) de 15 minutos de duração. A principal inspiração foi o clássico curta francês "La Jetée", dirigido por Chris Marker em 1962, e que explorava uma trama de viagens no tempo também utilizando fotografias em preto-e-branco.

Tecnicamente, "O Soco Silencioso" é belíssimo. O curta narra uma troca de diálogos meio aleatórios entre dois homens num quarto escuro, e o tom cada vez mais agressivo da conversa logo evolui para o que se espera: um deles pede para que o outro decepe o seu braço com uma serra. E assim... a história termina!

Talvez este seja o grande defeito do trabalho de Lucas: conquista o espectador pelo visual acachapante, pela música hipnótica e pelo tom dos diálogos entre as duas únicas figuras em cena, mas termina sem explicar ao que veio, deixando margem para várias interpretações (a dupla matou alguém e sofre uma crise de consciência? um representa o alter-ego do outro? ou é apenas blablabla filosófico mesmo?), mas sem dar muitas pistas e elementos para que qualquer associação possa ser feita.

Trata-se de um trabalho bastante difícil e diferente, e só por isso já merece ser conhecido. Inclusive fico imaginando a trabalheira para fazer, compor e editar todas as fotografias no formato de um curta-metragem. Só fiquei boiando mesmo na narrativa; talvez uma historinha mais convencional e com menos simbolismos deixasse o curta mais acessível.

Direto de http://filmesparadoidos.blogspot.com/2009/04/outros-filmes-que-voce-infelizmente-nao.html

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Espaço Bellas Artes

O Espaço Bellas Artes me convidou para fazer uma exibição de vários trabalhos que eu tenho feito. Estou preparando a seleção agora, a maioria serão trabalhos experimentais. Já que esse evento é em São Leopoldo vou aproveitar para fazer a estréia de uma cena do documentário "Biba", vai a primeira vez que um material do filme será exibido. Também vou incluir a animação "Empty Like a Shell" feita ao lado de Fabiano Gummo que até então só tinha sido exibida no Rio de Janeiro.

Quem quiser conhecer o lugar, fica na rua Independência, 1213, centro, São Leopoldo. Há também um perfil no Orkut.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"O Soco Silencioso" na TVE


Meu último trabalho, o curta-metragem "O Soco Silencioso" será exibido na TVE RS, canal 7, no programa TVCine nos horários:

Domingo (dia 26/04) às 22h30
e
Terça-Feira (dia 28/04) às 22h40

Também será mostrado uma péssima entrevista feita comigo, gravada em São Leopoldo no atelier do artista plástico Biba.

Obrigado ao Domício Grilo e a equipe do Radar pelo espaço!

E se você assistir, me mande uma carta com sua opinião.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"O Soco Silencioso" no Cinema de Bordas

(still de "O Soco Silencioso", por Bárbara Peixe)

Meu último filme, O Soco Silencioso, um curta-metragem filmado no início deste ano, foi selecionado para o Cinema de Bordas, um evento realizado pelo Itaú Cultural em São Paulo.

A exibição acontece dia 24 de Abril, Sexta-Feira, às 17hs.

"O Soco Silencioso" é um curta-metragem realizado sob a técnica de fotomontagem, usada para mostrar os diálogos surreais entre dois homens em um ambiente claustrofóbico.

Mais informações:
http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2841&cd_materia=928

quarta-feira, 15 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

TEC no Festival de Música Livre

16º Festival Música Livre
Florianópolis / SC
9 de Abril

quinta-feira, 26 de março de 2009

O filme que tira o sono


"Foi enlouquecedor para aqueles que ficaram no mesmo hotel que eu e o assistiram naquela noite em Sundance (...) no final eu acabei perguntando para um amigo se ele não queria passar em meu quarto durante a noite porque eu esta com medo de não conseguir dormir sozinho."
- Kim Voynar, Cinematical

"Possivelmente o filme mais assustador já feito, e a melhor razão para usar fraldas no cinema."
- Bluebomber

"Eu dei uma cópia deste filme para a minha irmã, que iria passar uma noite com o namorado. Ela é uma fã de filmes de horror. (...) No dia seguinte, eu a encontrei no almoço, e perguntei o que ela achou do filme. Ela me acertou um soco no peito, forte o bastante para doer, e me disse que ela não conseguiu dormir a noite inteira por causa do filme, e nem o namorado dela. Ela me perguntou se era real, e por dois segundos eu pensei em enganá-la".
- Moriarty, Ain't It Cool News

"Se você acha que filmes de horror não podem te assustar, se você acha que horror moderno não tem nada a oferecer, tente sentar e assistir "Paranormal Activity" e então agradeça os diretores por mudar sua cabeça..."
- Felix Vasquez Jr., Film Threat

"O auditório inteiro estava descontrolado...as pessoas estavam psicológicamente abaladas..."
- Dread Central podcast

"Eu estava tão enloquecido depois de ver este filme, que eu não queria colocar o pé dentro da minha casa pensando que poderia ter algo lá que eu não pudesse ver esperando por mim."
- Jorge Ameer, Hollywood Independents

O trailer de "Paranormal Activity" já está disponível na internet, e você pode assistí-lo clicando aqui.

terça-feira, 17 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Não-Entrevista 18/10/08

Uma tentativa de entrevista com Ronaldo "Biba" Jacques realizada no dia 18/10 de 2008 no evento "Sessão Maldita" onde ele minutos depois faria uma apresentação. Reportagem de Flavio (Virgo Morgenstein). O documentário "Biba" estréia em Agosto.





segunda-feira, 9 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

O Comediante Está Morto


A Srta. Incrível pede a costureira Edna Mode para ela faça um novo uniforme para que ela ir a uma ilha salvar o seu marido desaparecido. A costureira olha seu antigo uniforme e comenta sobre a capa, contando a história de um herói que sofreu um acidente tendo sua capa presa a uma hélice de avião, ao falar isso essa personagem está fazendo uma direta referência ao herói Dollar Bill da história em quadrinho "Watchmen", que foi morto por ter sua capa presa a uma porta giratória. Essa citação não vem a flutuar, "Os Incríveis, de Brad Bird, é basicamente todo inspirado na história de "Watchmen".

Um dos melhores retratos sobre a figura do herói na sociedade, "Os Incríveis", assim como boa parte das animações, normalmente encantam o público no seu lançamento mas depois são pouco lembrados pelo público, com se sequer fossem cinema. Mesmo este que é o último grande filme dos estúdios Pixar (que nunca conseguiu o superar, realizando filmes medianos como "Carros" e "Rattatouie", e mesmo "Wall-E" sendo bom não conseguia bater com este) acabam perdendo seu valor com o tempo, sendo reconhecidos apenas como uma diversão para crianças. Mas aqueles que colocarem o cérebro pra funcionar encontrarão em "Os Incríveis" boa parte das questões alevantadas por Alan Moore na Graphic Novel de sucesso contadas de uma maneira cinematograficamente redonda e inteligente. A primeira reviravolta do filme acontece quando o Sr.Incrível salva um homem que estava caindo de um prédio para em seguida ser surpreendido, tal homem se tratava de um suicída (em um dos balanços de roteiro mais bizarros que um filme infantil já sofreu), que desejava morrer, mas por ter sido impedido pelo Sr.Incrível, o processou. E após isso, os heróis são postos em dúvida, até a polêmica aumentar e o governo firmar uma lei proibindo os mascarados de exercerem seus prestativos serviços, tendo que se tornarem meros humanos. Há aqui uma dolorosa crítica de dissimulação: se você é diferente da massa (e aqui poderemos incluir homossexuais, negros, semitas e etc) disfarce isso, oculpe para que ninguém veja e viva sua vida acreditando que não é especial em coisa alguma. Chega a ser fudido a forma com que o filme nos trasmite essa dor nos personagens nesse enjaulamento: o Sr.Incrível mantêm uma vida completamente monótona no seu trabalho, trabalha totalmente desinteresado em seu cubiculo, apenas mais um número, robotizado, a única emoção que ele expressa é desgosto de tudo aquilo quando ele vê o próprio chefe passando a perna em uma cliente idosa, ou na forma em que ele avista um assalto de longe e se entristesse por não poder fazer nada. Seus filhos, que já tiveram de nascer aprendendo a negar seus poderes especiais, desenvolveram comportamentos psicológicos como resposta, a garota sofre de baixa auto-estima, depressiva, e o menino vira um brigão na escola, um mal educado. O ápice disso é quando o Sr.Incrível chega em casa, estressado de mais um dia de trabalho e bate a porta do carro, e sem querer esmagando ela, não conseguindo controlar a força - o toque final nessa cena é que Bird ainda insere um garotinho de bicicleta olhando de olhos arregalados quando o Sr.Incrível ergue o carro com apenas uma mão, mostrando o quão encantador e lindo era aquele poder para meros humanos, uma dádiva que de maneira alguma deveria ficar encoberta.

O que ele não consegue, Sr.Incrível precisa extrapolar sua força para fora, o que rende dois momentos extremamente adultos na história: ele sai de noite com seu amigo Lucius Best, as escondidas da família, para fazer pequenos serviços de herói, como salvar um prédio em chamas, no que é outra clara referência a "Watchmen" (quando Coruja e Espectral salvam também as pessoas de um prédio em chamas sob ilegalidade) e quando sua mulher descobre tudo, o roteiro trata isso como uma questão de infidelidade, rendendo até uma discussão de relação em pleno filme. Outro momento é quando o Sr.Incrível começa a trabalhar em uma ilha usando seus poderes para um chefe misterioso, "Os Incríveis" tem toda uma seqüencia da rotina dele mentindo para a esposa que ia trabalhar, retornando da ilha cansado, comprando uma série de presentes com o bom dinheiro recebido etc, enfim, nós espectadores sabemos que tudo se trata de uma farsa, de uma mentira adulta, e eu me pergunto que efeito isso tem no público infantil de "Os Incríveis", as crianças só podem reconhecer nessa falsidade de dizer a família que vai a um lugar e na realidade não ir como no ato de matar aula.

O inimigo é outra crítica brilhante, ele era apenas uma criança que idolatrava o Sr.Incrível, ele só
queria ser amigo dele, mas como foi sempre ignorado e menosprezado pelo homem, o que fez ele crescer com essa mágoa, a falta de amor se tornou em ódio fudendo com a psique da criança até ele virar um vilão (não por acaso o nome dele é Síndrome), no final das contas ele era uma pessoa que enxergava a beleza nos poderes do Sr.Incrível e só era chato porque estava encantado por eles, e se sentia um inferior por não ter nascido com superpoderes (lição para as crianças: se você maltratar seu coleguinha por ele não ter os mesmos benefícios que você, vai estar machucando ele e é possível que ele nunca se esqueça e no futuro se vingue em qualquer oportunidade) sendo assim Síndrome parte para fabricar tais poderes, busca recursos tecnológicos para isso, desenvolvendo máquinas ameassadoras e destruidoras que são apenas fruto de sua fúria, o garoto está louco, possuindo todo esse poder em um simples controle de botões no punho.

Então eu pergunto, que filme infantil é esse? Como "Os Incríveis" consegue lidar tão bem com tais assuntos e não ser reconhecido por isso nem a tempos de lançamento de um filme que supostamente adaptará melhor a Graphic Novel de Moore? Talvez seja estranho me ver aqui louvando uma animação infantil e ressaltando pontos tão intelectuais e maduros nela, mas é que sinceramente eles existem e eu os enxergo. Me encomoda particularmente que os intelectuais sempre buscam decifrar as obras de diretores do circuito de arte, analisando-os, buscando suas metáforas, e esses mesmos intelectuais se negam a fazer o mesmo estudo no cinema comercial, como se fosse completamente impossível que em um filme destes pudesse haver uma carga intelectual tão genial e real quanto as do circuito artístico (o que "Os Incríveis" prova ser uma falácia), como se simplesmente os diretores destes filmes comerciais fossem todos animais, incapazes de se interessarem pelos seus filmes, inserirem também metáforas e explorarem seu conteúdo. Acredito que isso acontece por uma razão que eu acho sensacional: é que esse potencial intelectual no filme comecial não é a primeira vista perceptível, pois ele está camuflado nos efeitos especiais, nas piadinhas, nas cenas de lutas...a única forma de encontrá-lo é procurando, o que os intelectuais não fazem pois eles ainda são preconceituosos e não conseguem admitir que é possível existir vida inteligente ali. Sendo assim, filmes como "Os Incríveis", com sua qualidade artística escondida em um simples filme infantil (o que o torna extremamente agradável de assitir, ao contrário de filmes Europeus metidos a arte que são um pé no saco - eu os apelidei de Eurotrash) desmascaram toda a verdadeira faceta do intelecual: ele é, na realidade, um alienado, que deixa passar despercebido todo um esforço artístico adiante de seus olhos porque ele não tem capacidade de os enxergar, sua cabeça ainda está fechada ao significado do "o que é arte" que ele leu em livros, resumindo, ele é um verdadeiro imbecil.

Mas então quem é o Dr.Manhattan? Esse ser superior que comporta vários poderes em si e tem um comportamento diferente de todos os demais personagens? Acreditem, é o bebê. Deixado a sós com uma babá enquanto a família parte para salvar o mundo, Jack-Jack sofre uma série de mutações (algo que pode ser visto no curta-metragem "Jack-Jack Attack", que conta o que aconteceu enquanto o longa olha para outro lado) mostrando ser capaz de possuir diversos poderes. Resta a dúvida de saber que possição ele tomará quando crescer.

São 5 anos desde que eu assisti "Os Incríveis" e nunca me saiu da cabeça como o filme consegue comportar todas essas passagens de uma forma tão deliciosa, o filme flui de verdade, sem precisar bombardear o espectador com frases intelectuais, duas horas e meia de duração ou violência e sexo como forma de destacar coragem artística. "Os Incríveis" é um filme que se comunica perfeitamente com nós através do cinema, fazendo uma mensagem válida para crianças pequenas até os mamanjões. E é por tudo isso que nesse fim de semana, onde a "Melhor História em Quadrinhos de Todos Os Tempos" se transformou no "Melhor Filme Do Fim De Semana" (ou nem isso porque foi nessa Sexta que estreiou também "La Belle Personne" novo do Christophe Honoré) e as pessoas só discutem isso, eu preferi cancelar a minha sessão de cinema de Domingo e ir a uma videolocadora e procurar escondido nas prateleiras da área infantil essa animação inacreditável e incrível. Vou ver hoje a noite, quem sabe vá no cinema ver aquele outro filme na Terça-Feira quando é mais barato e talvez até lá eu tenha mudado de opinião, mas te digo que por hoje, acho que fiz a coisa certa.